quinta-feira setembro 2, 2010 09:57
Reticências…
Gosto de muito de usá-las e, com frequência, muito as uso…
Então resolvi pesquisar sobre o uso correto delas, já que muitos a usam exageradamente, em detrimento das regras gramaticais.
A princípio, sua definição:
As reticências (…) indicam interrupção da frase.
Essa interrupção é, muitas vezes, de caráter subjetivo, quando o autor pretende mostrar determinados estados emotivos:
E, na sequência, não um estudo gramatical (vi algo por aí que por demais enfadonho, ainda que útil), mas sim o que se pode esperar delas. Eis, portanto, o que aprendi sobre elas:
Reticências…
Quando me faltam palavras para expressar o que me vai no vasto universo interior dos sentimentos, deixo o serviço por conta das reticências. E sempre me faltam palavras para expressar o que sinto, porque meu vocabulário e minha capacidade de expressão são mais limitados do que eu gostaria, já que sempre me fica a impressão de não ter dado o contorno preciso ao texto, de forma que ele pudesse expressar, com exatidão, o que eu gostaria de ter dito…
O socorro das reticências é sempre providencial, rápido, inequívoco. E – santa providência! – convida (intima mesmo) o leitor a participar do que está lendo, a interagir com o autor, e consigo mesmo, ao entrelaçar aquilo que foi escrito por outra pessoa com o que pensa ele próprio, com os seus sentimentos, com a sua história de vida, com os seus sonhos. Em outras palavras, as reticências são a deixa do autor para que o leitor pense, reflita sobre o que está lendo; e, como tal, um inescapável elo entre autor e leitor, nessa viagem única proporcionada pela leitura…
Mas não é só por essa razão que uso e abuso das reticências. Sou verdadeiramente apaixonado por elas porque, para mim, são como irmãs muito próximas do silêncio. E, por vezes, o silêncio se faz tão necessário quanto respirar; daí sua vital importância. Ora, mas o que tem a ver as reticências com o silêncio? – poderia o paciente navegante estar agora se perguntando!…
Para mim, tem tudo a ver. E tudo é, simplesmente, uma questão de conteúdo. Sim, de conteúdo!…
As reticências podem dizer – para mim sempre dizem – muito mais do que o que vem explícito a bordo das palavras que compõem o texto, bastando, para tanto, que se assuma que o universo interior do leitor (assim como o do autor) é muito vasto, e, diante da deixa proporcionada pela protagonista deste meu texto, certamente irá ampliar, enriquecer o propósito, o sentido do texto que se lê…
É exatamente o que ocorre com o silêncio. Sempre há (haverá) por detrás do silêncio mais conteúdo do que se poderia exprimir com palavras ditas – muito mais! Porque o silêncio também é amigo íntimo da reflexão, e esta a ponte que liga quem no silêncio mergulha ao porto seguro do seu universo interior, onde habitam todos os sentimentos que dão conteúdo e forma à sua alma…
Se quiser saber o quanto de conteúdo há no silêncio de alguém, basta olhar fundo nos olhos de quem silencia…
Código do texto: T50902
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