domingo março 27, 2011 15:54

Experiência de quase morte (EQM)

Posted by marcos-admin

O que acontece quando morremos? Ao termos uma Experiência de Quase-Morte (EQM), qual é o sentimento que vivemos neste instante?

No livro Vida Depois da Vida, o Dr. Raymond Moody Jr. descreve as experiências de 150 pessoas que viveram o fenômeno de quase-morte. Ele tem pesquisado este assunto há vários anos e seus estudos recaíram sobre três categorias distintas: a experiência de pessoas que foram ressuscitadas depois de terem sido julgadas, consideradas ou declaradas mortas pelos seus médicos; a experiência de pessoas que, durante acidentes, doenças ou ferimentos graves, estiveram muito próximas da morte física; a experiência de pessoas que a contaram para outras que estavam presentes enquanto morriam.

O Dr. Moody considera mais dramática a primeira categoria, na qual realmente ocorreu o desencarne clínico, já que o paciente teve um contato direto com a morte. Em suas pesquisas, pôde notar que as pessoas que estiveram “mortas” por um tempo mais longo puderam contar com riqueza de detalhes, além de a terem vivido por completo, ou seja, passado por vários estágios da EQM.

Nos primeiros passos dessa experiência, muita gente descreve sentimentos de paz muito agradáveis. Outro dado importante é que quem teve uma EQM não sai falando para todo mundo o que aconteceu. Normalmente, a pessoa faz um comentário para algum parente ou amigo, porém, ao ser reprimida por seu interlocutor e com medo de ser vista pela sociedade como uma desequilibrada, prefere o silêncio, não tocando mais no assunto. No entanto, essa pessoa jamais esquece cada detalhe do que ocorreu, a experiência fica viva na sua mente como um filme que assistiu há poucos minutos.

No instante da morte clínica, algumas pessoas ouvem o médico declarar seu falecimento. Contam que, nesse momento, escutam sons de sinos, harpas, uma música majestosa. Logo após a ocorrência do ruído, conforme algumas declarações, tem-se a sensação de que entrou em um lugar escuro, como se tivesse sido puxado para aquele local com uma certa velocidade. Tal espaço escuro é descrito de diversas formas: caverna, buraco, poço, túnel, bueiro, vale, vácuo, vazio, cilindro etc. Após a passagem rápida pelo local escuro, o Dr. Moody explica que “a pessoa que está morrendo tem, com freqüência uma surpresa muito grande, pois, nesse ponto, encontrar-se olhando seu próprio corpo físico de um ponto fora dele, como se fosse um expectador, uma terceira pessoa no quarto apreciando as figuras e os eventos”.

Nesse momento, a reação de cada um se altera. Alguns não têm noção ou não ligam para a possibilidade de estarem mortos, sentem-se confusos. Há aqueles que entram em desespero e querem voltar imediatamente ao seu corpo, enquanto outros não sentem medo, mantendo-se calmos e serenos, sabendo que têm de voltar ao corpo, mas sem saber como fazê-lo. Após tentar contato com os médicos, sem sucesso, a pessoa descobre que não pode ser ouvida ou vista, ficando surpresa ao descobrir que a matéria não é obstáculo para aquele corpo espiritual que necessita de solidez para conseguir tocar as pessoas e pegar qualquer objeto.

Outro estágio da Experiência de Quase-Morte é o encontro com o ser de luz. Vale lembrar que, quando uma pessoa está vivendo este fenômeno, ela pode seguir os estágios conforme são colocados, mas também pode ter experiências que não seguem este enredo ou apenas parte dele. A experiência é considerada completa quando segue todos os estágios, independente da forma que foi executada.

Entre os relatos que estudou, Dr. Moody considera como mais incrível o elemento que tem o efeito mais profundo no indivíduo, que é o encontro com uma luz brilhante. Muitas pessoas fizeram questão de frisar que, apesar da luz ser forte e intensa, em momento algum ela ofusca ou faz doer os olhos, não impedindo que elas vejam outras coisas ao redor. Para o pesquisador, talvez a luz não afete os olhos das pessoas “porque, a essa altura, elas já não têm olhos físicos para ser ofuscados”.

A comunicação entre o ser e a pessoa se dá através do pensamento, com perguntas do tipo “você está pronto para morrer?”, “o que você fez com sua vida já é o suficiente?”, entre outras. Estas questões não são feitas com o intuito de punir ou condenar, mas de uma forma carinhosa, para que as pessoas reflitam e façam uma auto-análise de como procederam até aquele momento e o que poderiam fazer de melhor. O ser apresenta à pessoa uma recapitulação panorâmica de sua vida. Conforme informações de grande parte daqueles que passaram pela Experiência de Quase-Morte, as imagens são vistas em cores vibrantes, tridimensionais e em movimento. Em alguns casos, até as emoções expressas nas imagens podem ser sentidas naquele instante. São tão marcantes estes momentos que, mesmo depois de muito tempo da ocorrência do fenômeno, as pessoas se lembram com detalhes do que viram.

Algumas pessoas descreveram ao Dr. Moody a presença de uma barreira ou limite, uma espécie de divisória entre o lado espiritual e o material. Assim, a pessoa que está vivendo a EQM pode chegar apenas naquele ponto especifico. A forma dessa barreira varia de relato para relato, podendo ser uma extensão de água, uma névoa cinza, uma porta, uma cerca em volta de um campo ou simplesmente uma linha.

Emmanuel Swedenborg, considerado um dos precursores do Espiritismo, relatou sua experiência fora do corpo, explicando como passou pelos primeiros eventos da morte: “Fui levado a um estado de insensibilidade quanto aos sentidos corporais, quase a um estado de morte. Porém, a vida interior, com o pensamento, permaneceu íntegra e, com isso, percebi e retive na memória as coisas que ocorreram aos que são ressuscitados dos mortos. Especialmente me foi dado perceber que havia um puxar e tirar da mente ou do meu Espírito para fora do corpo”, contou.

Sandra Rogers escreveu o livro Ensinamentos da Luz após ter uma Experiência de Quase-Morte em 1976, quando tentou se suicidar com um tiro no peito. Ela contou que foi levada à presença de uma Luz brilhante, que lhe deu acesso a um conhecimento ilimitado durante o tempo em que permaneceu naquele local. “Foi-me dito que eu poderia permanecer com a Luz desde que retornasse mais tarde ao mundo físico e vivenciasse tudo o que me levou ao ponto do suicídio junto com o restante da minha vida. Escolhi a alternativa que era retornar ao meu presente corpo físico. Foi-me permitido obter somente o conhecimento necessário para me manter, além de me serem dadas iluminações durante o caminho à medida que continue minha vida”, explicou Sandra.

Pelos relatos que o Dr. Raymond Moody Jr. estudou, as pessoas que tentaram suicídio não tiveram uma sensação de paz ou harmonia. Elas puderam ver o local para onde iriam caso a morte fosse concluída, além de sentirem um profundo mal-estar pela tentativa de fugir dos problemas pelo suicídio. Pensavam que estes terminariam com a morte, mas estavam provocando um problema ainda maior.

A Experiência de Quase-Morte provocou uma mudança no comportamento das pessoas quando estas regressaram à vida física. Elas passaram a olhar a vida com outros olhos, pensando mais nos outros. Acharam-se no dever de fazer uma reforma íntima, serem menos críticas, analisarem o que tinham feito da vida até aquele momento e o que poderia ser feito de forma diferente. Outro ponto importante é que ninguém saiu pregando o que viu, querendo fazer com que os outros acreditassem no fenômeno ocorrido. Pelo contrário, a experiência foi contada apenas para poucas pessoas, como explicamos anteriormente.

Tanto para os indivíduos que tinham uma religião quanto para os que não tinham, a experiência não teve nenhuma alteração no conteúdo relatado. Alguns críticos poderiam alegar que a fé religiosa poderia ter influenciado neste ponto, mas, independentemente disto, o relato foi similar. Aliás, alguns religiosos que pregavam que, ao morrer, os homens partiriam para o céu ou para o inferno viram a dessemelhança entre o que lhes foi ensinado e a realidade. As imagens são tão marcantes na mente destas pessoas que algumas lembram dos detalhes depois de muitos anos.

Alguns leitores devem estar se indagando quanto à morte biológica, como o fato do individuo ficar morto por mais de cinco minutos e não ter nenhuma seqüela no corpo, uma lesão cerebral por falta de oxigênio, por exemplo. Para o Dr. Moody, a morte é definida como o estado do corpo do qual é impossível voltar à vida. “É obvio que, por essa definição, nenhum dos meus casos seria incluído, pois todos eles supõem a ressurreição. Mesmo nos casos em que o coração deixou de bater por longos períodos, os tecidos do corpo, particularmente o cérebro, devem ter sido de algum modo, supridos de oxigênio e nutrientes”, explicou.

Entendo que a morte realmente não existiu de forma definitiva, pois não houve o rompimento dos laços que ligam o Espírito ao corpo por meio de seu envoltório semimaterial, o perispírito. De alguma forma, a espiritualidade fez com que o corpo recebesse os cuidados necessários, a fim de não sofrer qualquer seqüela enquanto a alma mantinha seu contato com o Mundo Espiritual. Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec diz que “fenômenos que escapam das leis da Ciência vulgar se manifestam em toda parte e revelam, em sua causa, a ação de uma vontade livre e inteligente”.

Seria a Experiência de Quase-Morte o resultado da privação momentânea de oxigênio, da tensão psicológica ou da dor? Em alguns casos, é possível que sim, entretanto, vários pacientes analisados deixaram claro que haviam experimentado um estado de lucidez acima do normal. Com base na Doutrina Espírita, poderíamos classificar a Experiência de Quase-Morte como uma espécie de desdobramento perispirítico involuntário.

Portanto, devemos acolher com carinho os conhecimentos adquiridos pelas pessoas que passaram pela EQM, tirando uma lição para nós como se tivéssemos passado pela mesma situação. Pensar desta forma é um incentivo à reforma íntima, ao pensamento coletivo, a saber olhar o mundo à nossa volta com mais amor e carinho. O individualismo não leva a lugar algum, pelo contrário. Como vamos dar continuidade ao nosso processo evolutivo se somos individualistas e utilitaristas?

A experiência pela qual essas pessoas passaram é maravilhosa, o sentimento que tiveram não pode ser expresso na linguagem humana. Algum motivo houve para que isto ocorresse com elas. Não podemos todos ter a mesma experiência, mas podemos tomá-la como universal, pois uma mensagem enviada ao semelhante também serve para nós. Estamos todos no mesmo caminho e o aprendizado de um deve ser passado para o outro. Quando idealizamos o bem para quem amamos, devemos estendê-lo para aqueles por quem não temos simpatia. Devemos ter a coragem de reconhecer um erro, de perdoar, de praticar a caridade, de termos fé em um Deus maravilhoso e supremo que nos ama mesmo diante de todos os nossos defeitos. Devemos repassar esse amor para todas as pessoas, sem discriminação de cor ou raça.

Às boas leituras engrandecem nosso intelecto e nosso Espírito. O aprendizado se faz neste Mundo e no Espiritual. Às vezes nos tornamos repetitivos, mas isso é proposital para o acompanhamento idealista que temos ou que tentamos colocar em prática mesmo nos momentos em que os obstáculos parecem maiores do que nossas forças. Mas apenas parecem, pois, dentro de nós, temos uma força maior do que qualquer problema, além da fé e coragem de seguirmos em nossa caminhada.

Revista Cristã de Espiritismo, edição nº 16, ano 2002.

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